Carreira

A VIDA SEM CHEFE


O vazio profissional que se seguiu ao fim da IdealTV demorou a ser preenchido. Nos primeiros meses, tentei preenche-lo em tentativas vãs de levar o mesmo conceito de canal para outra empresa de comunicação. Nada vingou e hoje percebo que isso ocorreu, em grande parte, porque à medida que o tempo passava, se consolidava em mim uma certeza: eu não queria mais ter chefe, pelo menos não daquele tipo que tem poder de decidir o meu futuro, como havia ocorrido de maneira tão brutal meses antes.

Eu, que tantas vezes havia escrito na VOCÊ S/A sobre a necessidade de se assumir o controle da própria carreira, finalmente iria seguir o conselho que havia sido a pedra fundamental da revista. Dali para frente, eu teria os méritos pelos acertos e pagaria o preço pelos erros. Sem divisão de responsabilidades, nem para bem nem para o mal. Por essa razão também fugi das oportunidades de me associar a alguém. Até tentei, mas não consegui levar adiante. Como eu costumava dizer quando me perguntavam, citando o filme com Jim Carrey: éramos “Me, myself and Irene”. O voo solo, em todos os sentidos, me pareceu uma aventura irresistível. E embarquei nela com a Jabuticaba Conteúdo, que nasceu oficialmente em janeiro de 2010.

O meu futuro profissional estava definitivamente atrelado à produção de conteúdo em vídeo. Comecei trabalhando em casa, mandando e-mails para a minha rede de relacionamentos, contando sobre o meu novo desafio. A primeira a responder foi a executiva Marilia Maya, então diretora de recursos humanos da AGCO, fabricante de tratores e máquinas agrícolas. Nos conhecemos anos antes, ela no Credicard, eu na Abril. Hoje, Marilia lidera globalmente o RH do banco americano Western Union, baseada em Miami, e serei eternamente grata por ela ter acreditado em mim nos primórdios da Jabuticaba. Vale dizer que o conjunto de vídeos para a AGCO sob o título “Cara-a-cara com o cliente”, no qual foram registrados encontros de funcionários da empresa com revendedores e fazendeiros, foi finalista do Prêmio Aberje 2010. Era um bom começo.

O portfólio da Jabuticaba começava a tomar forma graças à rede de relacionamentos que estabeleci nos anos anteriores (sim, vamos voltar ao tema networking no futuro). Seis anos depois, dezenas de clientes atendidos, centenas de vídeos entregues, a Jabuticaba já não é mais um sonho. Tenho errado horrores nessa jornada como empreendedora. Erros de todos os tipos – e sei que não posso imputá-los a ninguém. Sou 100% responsável por eles, seja por desconhecimento, arrogância ou impaciência. E estou confortável com isso.

Quanto aos acertos … bom, quanto a eles, talvez algum dia, em algum post perdido neste blog eu consiga entende-los e dar os devidos créditos a quem de direito. Sei que ainda falta muito para eu domar as rédeas do meu próprio destino, mas a sensação de estar no caminho certo, posso garantir, é muito boa.

P.S. Sempre que apresento a Jabuticaba Conteúdo a um desconhecido, vem a pergunta: “Por que Jabuticaba?”. São memórias afetivas de infância, eu explico. Nasci no Paraná, mas meus pais se mudaram para o mato Grosso do Sul quando eu tinha sete anos. Era uma época de grandes florestas, hoje extintas. Eu e meus irmãos éramos levados por tios para catar jabuticaba no meio do mato. Voltávamos com os baldes cheios, curtindo os papagaios, tucanos, periquitos e macaquinhos que se apresentavam pelo caminho. O nome jabuticaba se apresentou assim, de supetão, no meio da ponte Rio-Niterói, durante uma longa viagem de carro em que as opções vinham sendo discutidas com meu marido. Foi adotado imediatamente.

Maria Tereza Gomes

É jornalista e entrevistou 72 presidentes de empresas para o programa Trajetória Ideal, exibido pela IdealTV entre 2007 e 2009.

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Maria Tereza Gomes Gomes mariatereza

Jornalista com 30 anos de experiência em jornal, internet, revista e televisão.

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