Biografia

MINHA JORNADA PESSOAL


Em fevereiro de 2007, quando fui chamada para implantar o primeiro canal de televisão do país totalmente dedicado a temas de gestão, carreira e negócios, lembro que ponderei: “Eu não sei nada de televisão”. A que o autor do convite retrucou: “Televisão, nós podemos ensinar. Você entende dos temas que queremos tratar.” Eu entendia: tirando uma breve passagem, ainda na faculdade, em um jornal de polícia lá de Curitiba, minha experiência jornalística tinha sido toda em veículos de economia e negócios.

Entrevistar e escrever sobre homens e mulheres de negócios tinha sido a minha vida. Eu sabia diferenciar Peter Drucker de Tom Peters. Benchmark de Downsizing. O papel do executivo daquele do empresário. Acumulava cinco anos de Indústria & Comércio, em Curitiba, sete de Exame e nove de Você s/a, sendo os últimos sete como diretora de redação (cargo acumulado com o guia das melhores empresas para trabalhar, publicado simultaneamente nas duas revistas).

Fui a primeira funcionária da IdealTV. Nas primeiras semanas, sentava num espaço cedido pela assessoria de imprensa da MTV. Não tínhamos escritório, equipe, nada. Levei comigo a agenda onde havia listado minhas sugestões de programas: uma sitcom sobre comportamento no trabalho, um semanal onde executivos cozinhariam enquanto contavam sobre seus desafios, cases das melhores empresas para trabalhar e assim por diante. Aos poucos, a equipe foi chegando – Eriel Civalli tornou-se meu braço direito na busca pelos melhores talentos. As ideias de programas foram debatidas, ganharam produtores, apresentadores, roteiros, pilotos. No dia 1º. de outubro de 2007 estreamos.

Durou menos de dois anos. Saímos do ar em julho de 2009. Já fazia alguns meses que eu sabia que a nossa situação não era boa, que corríamos risco. Não tínhamos conseguido ampliar a base de distribuição – o que nos daria fôlego financeiro – e a crise global de 2008 dificultara o acesso ao cofre dos acionistas.

É muito difícil processar uma perda como essa, especialmente quando você acredita que ela não é merecida. O Ideal era o meu projeto dos sonhos. Eu liderava uma equipe apaixonada e dedicada. Havíamos conseguido provar que era possível falar sobre temas complicados de maneira série, mas leve e divertida. Conquistamos o respeito de telespectadores e entrevistados. Só não conquistamos o dinheiro para ir em frente.

Ao estudar Joseph Campbell entendi que aceitar os chamados é parte fundamental para se empreender a jornada individual. Não me arrependo de ter aceito aquele chamado para sair do mundo confortável e seguro da VOCÊ S/A. Parti para o mundo desconhecido, incerto da televisão. No meio do caminho, tive a ajuda de uma equipe talentosa, entrevistados generosos, mentores inspiradores.

Cada um de nós trouxe algum aprendizado daquela aventura. Eu aprendi sobre a arte de fazer televisão – dei muitos foras no começo, fiz perguntas que hoje me envergonham, quebrei a cara diversas vezes -, mas também sobre a arte da gestão. Certo dia, a equipe cancelou uma gravação em Campinas, numa empresa importante, de difícil acesso. Era o segundo de dois dias de captação de imagens e entrevistas. Quis saber o motivo: a camisa do apresentador havia sumido. Por questões de continuidade, ele deveria usar a mesma nos dois dias. Televisão é trabalho em equipe em sentido puro, do começo ao fim de qualquer projeto.

Uma jornada que não se faz sozinho. Eu tive os melhores companheiros de viagem que poderia desejar.
Muito obrigada Equipe Ideal.

Maria Tereza Gomes

É jornalista e entrevistou 72 presidentes de empresas para o programa Trajetória Ideal, exibido pela IdealTV entre 2007 e 2009.

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Maria Tereza Gomes Gomes mariatereza

Jornalista com 30 anos de experiência em jornal, internet, revista e televisão.

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