Sinopse

O que é preciso fazer ou ser ou ter para ser o herói do próprio destino? Afinal, o que é ser herói? Um ser inatingível, que vive sua aventura acima dos seres normais? Ou poderia ser você, seu pai, alguém que se admira? Amparada por ampla pesquisa com presidentes de empresas e em estudos dos textos do sociólogo americano Joseph Campbell, a jornalista Maria Tereza Gomes encontrou o que ela chama de “atitude de herói”, um conjunto de comportamentos que aparecem naquelas pessoas que se destacam das demais, seja na carreira ou na vida. Ela escreve: “A atitude fundamental que você precisa aprender sobre o herói é que ele (ou ela) só cumpre o seu destino quando toma uma decisão fundamental: aceitar o chamado para a aventura”.

“Um livro fácil de ler e profundo ao mesmo tempo” – Roberto Lima, CEO da Natura

“Transmite com emoção e fidelidade a vida de um CEO” – Acacio Queiroz – Chairman Chubb Seguros

“Um livro para os futuros candidatos a CEO, para os que estão no auge e também para quem está se preparando para um novo ciclo” – Waldey Sanchez – Conselheiro Navistar.

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Leia trechos do livro

Conheça alguns dos personagens que participam desta obra

Waldey Sanchez

Waldey Sanchez começou a trabalhar aos treze anos tomando conta de carros no aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. Como o pai era mecânico de avião, sua família morava nesse pequeno campo de pouso e decolagem. “Eu nasci no hangar, iluminado, às 5 horas da manhã; iluminado por bateria de avião.” Waldey ganhou ali seus primeiros trocados. Os pilotos e os passageiros que iam voar no fim de semana, deixavam o carro estacionado e o menino apaixonado pelas máquinas voadoras cuidava para que nada de errado acontecesse. A gorjeta estava garantida. A proximidade com os aviões e com os militares da Aeronáutica, fez o jovem Waldey sonhar em ser piloto. Aos 14 anos, prestou exame para a Escola de Cadetes de Barbacena, em Minas Gerais, concorrendo com três mil candidatos. Foi aprovado nos testes, mas ao fazer o exame médico foi diagnosticado com daltonismo, a dificuldade para distinguir determinadas cores. Pelas regras, ele poderia até fazer o Curso de Cadetes, mas teria de se contentar em trabalhar em terra. Preferiu voltar para casa. Aprendeu na prática tudo sobre avião, mas jamais pode pilotar. Também apaixonado por música, chegou a tocar na noite paulistana até ser repreendido pelo pai por causa da pouca dedicação ao trabalho diurno. Na época da entrevista, estava completando 34 anos de MWM, multinacional fabricante de motores, onde entrou após enviar o currículo. Havia sido demitido do emprego anterior. Durante essas mais de três décadas, a empresa mudou de dono e de nome diversas vezes, mas Waldey permaneceu. Ocupou variadas posições no Brasil e no exterior. Quando gravou a entrevista comigo já ocupava a presidência havia uma década. Pai de dois filhos – Bruno, do primeiro casamento, e Maria Julia, do atual com Celeste -, Waldey continuava um apaixonado por música, paixão que incutiu também nos filhos. Durante o programa, ele foi o violinista que acompanhou Maria Julia interpretando o clássico do folclore americano Five hundred miles, de Peter Paul & Mary.

Ulisses Tapajós

Ulisses Tapajós tinha 58 anos e data marcada para se aposentar da Masa, a empresa que ele havia reerguido das cinzas anos antes, localizada em Zona Franca de Manaus, no final de 2007, quando o entrevistei para o Trajetória Ideal: 1o. de outubro de 2008. Ao ser perguntado sobre o que faria quando deixasse o cargo, enumerou em termos percentuais suas futuras funções. Iria se dedicar a projetos sociais, seria consultor dos negócios dos filhos e genro e esperava ter tempo para a neta, entre outras coisas. O maior desafio da carreira do manauara aconteceu justamente com sua maior conquista: ao ser nomeado presidente da Masa – o ápice de sua carreira –, recebeu também a missão de fechá-la. Contrariando todos os prognósticos, Ulisses conseguiu salvar a empresa e os empregos. E ainda a transformou numa das melhores empresas para trabalhar do país. Sua saída fazia parte do acordo feito com os acionistas três anos antes. Perguntei se ele estava preparado para aquele momento que se aproximava e ele respondeu: “Não, eu não estou comprando pijama nem nada”. Havia ali uma clara demonstração de que ele pretendia se manter no mundo especial por mais tempo. “Eu vou ser um aposentado estressado.

Manoel Horácio

Manoel Horácio nasceu em Portugal, mas a família migrou para o Brasil quando ele ainda era criança. O pai era jardineiro. Saia todo dia às 6:30 para trabalhar, fizesse sol ou chuva. Como nunca frequentou a escola, foi a mulher, diarista, que o ensinou a ler e a escrever. A infância no Brasil do casal com três filhos foi de dificuldades econômicas e sociais. Na escola, o pequeno Horácio conviveu com as piadas de português. “Eu tinha que estudar mais para provar que não era português burro”. Quando começou a compreender a vida difícil da família, tomou uma decisão: “Eu tenho que vencer”. E venceu. O administrador de empresas com MBA por Harvard, trabalhou no grupo Ericson por 23 anos, onde ocupou o cargo de presidente de várias subsidiárias. Também dirigiu a área de papel e celulose da Vale, foi presidente da Sharp, da CSN e da Telemar. Desta última, foi demitido pelo Conselho de Administração num final de tarde em que esperava ser elogiado pelos resultados que vinha obtendo. O inesperado tempo livre permitiu passar mais tempo com a família, benefício que não tinha porque trabalhava no Rio enquanto mulher e filhos moravam em São Paulo. Também aproveitou para levar a mãe e os irmãos para um emocionante retorno a Portugal. Com a mulher, com quem estava casado há quase quatro décadas na época da entrevista, embarcou para diversos destinos europeus. Depois do sabático veio o Banco Fator, do qual já era presidente havia seis anos. Durante esse tempo todo, Horácio manteve-se fiel a um hobby: a marcenaria. Quando está preocupado ou estressado, refugia-se no espaço que montou em sua casa; mexe com a madeira, corta, lixa, brinca na criação de peças pequenas. É o caso de tábuas para queijo que, assinadas, dá de presente aos amigos no Natal.

Danilo Talanskas

Danilo Talanskas vem de uma família de imigrantes lituanos, que vivia com grandes dificuldades. Desde cedo, Danilo precisou trabalhar. Quando menino, ajudava o pai, ferramenteiro, mas depois foi vender pacotes de turismo e aparelhos auditivos. “Tudo o que ajudava a sobreviver, a gente ia atrás”. O alicerce espiritual para enfrentar essas dificuldades veio do bispo da igreja que ele frequentava. Danilo o classifica como “uma luz muito forte” e até “um segundo pai”. Graças a esse mentor, foi incentivado a fazer faculdade (administração). Anos mais tarde, por 3 anos, assumiu a liderança de uma missão com responsabilidade por 250 jovens missionários de diversos estados, com sede no Rio de Janeiro, e, posteriormente, seguiu com a mulher e quatro filhos para fazer mestrado nos Estados Unidos. Sobrevivendo com uma bolsa oferecida por um benfeitor norte-americano, a família morou num trailer antes de obter o apartamento da faculdade. Ser obediente aos preceitos mórmons também significou ignorar hábitos comuns ao mundo corporativo. “Há momentos em que (a religião) pode fechar portas, especialmente em ambientes que requerem muito convívio social com bebidas”, diz. Os mórmons não bebem, não fumam e não tomam café. A fé também o levou a recusar um convite para trabalhar numa indústria de bebidas. “A minha religião se refletiu nos meus padrões éticos e eu acho que sempre abriu mais portas do que fechou”, diz. Isso não quer dizer que Danilo viu sua carreira deslanchar sem percalços. Cinco anos antes de se tornar presidente da Elevadores Otis no Brasil, ele foi demitido da mesma empresa pelo chefe de quem viria a ser o substituto. Protagonizou, assim, uma autêntica “volta por cima”. Na época da entrevista, Danilo estava lançando um livro para contar essas e outras experiências.

Luiz Ernesto Gemignani

Luiz Ernesto Gemignani tinha 12 anos quando a família de mudou de Botucatu, onde vivia no interior paulista, para a capital, São Paulo. O menino ainda pré-adolescente, além de fascinado pelos bondes e pelo comércio da cidade grande, encarou pela primeira vez a realidade da vida. Trabalhava de dia e estudava à noite. Era, nas palavras dele, “um empreguinho” que ajudava a família naquele momento de dificuldades. Luiz Ernesto passava a maior parte do dia sozinho no escritório, à espera que o telefone tocasse ou que a equipe de vendas voltasse da rua. “Eu quase fiquei louco”, lembra. Ele nunca mais pararia de trabalhar, a não ser por um sabático aqui e outro acolá. Aprendeu contabilidade ajudando no escritório do pai e aos 14 anos entrou no banco holandês ABN (depois Real e atualmente Santander) como office boy: servia café, organizava o arquivo, fazia serviço de rua, o que tivesse. Formou-se em engenharia de produção pela prestigiada Politécnica da USP, mas também passou no vestibular do ITA, escola preterida por temer o ambiente de repressão política durante a ditadura militar. Certa vez, ainda estagiário numa firma de consultoria, achou estranha a norma que proibia barba – que cultivaria durante muitas décadas depois – e, já insatisfeito, rebelou-se contra o chefe que o reprimiu por ter-se levantado para se espreguiçar na janela. Foi embora e nunca mais voltou. Aos 27 anos, já em outro emprego, ainda indeciso sobre o que queria fazer da vida e abalado com a morte do pai, pediu demissão e embarcou com um amigo para mochilar na Europa. Na volta, conheceu Flavia, de quem nunca mais se separou. Depois de trabalhar na Bahia, mandou o currículo em resposta a um anúncio de jornal e foi contratado pela Promon, uma peculiar empresa de engenharia que não possui um dono. Ela pertence aos funcionários. Sua ascensão profissional o levou, décadas mais tarde, a ser eleito presidente pelos próprios colegas e acionistas. Eles decidem em voto secreto, quem assume os principais cargos executivos. Foi nessa condição que Luiz Ernesto foi entrevistado por mim em 2008.

Sobre a Autora

Maria Tereza Gomes é jornalista, empreendedora, professora de cursos de MBAs e voluntária nas ONGs Via de Acesso e PWN- Professional Women’s Network. Foi bolsista na Universidade de Michigan(EUA) e é autora do livro O Guia dos MBAs (2000). Atualmente, é CEO e diretora de conteúdo da produtora Jabuticaba Conteúdo.

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